quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Ao meu querido amigo.

Já se passaram dois meses desde que você partiu, e ainda me pego lembrando de ti.
A vida é engraçada né?
Eu fico lembrando as diversas vezes que a gente parou para conversar sobre o futuro, quando você me dizia que deus tinha um plano pra minha vida, me lembro quando você largou a igreja para “viver sua juventude”, lembra que eu vivia brigando com você pedindo que voltasse que lá era o seu lugar, que aproveitar a vida não necessariamente precisava de cachaçadas e festas constantes... Lembra que eu não gostava dos seus novos amigos? Que eu dizia pra você que eles estavam te ensinando a viver do jeito errado. Lembro da primeira vez que vi você bebendo, recordo o tamanho da minha decepção, você passou na frente da minha casa carregado por seus amigos e no outro dia eu briguei tanto com você.
Meu irmão caçula sempre dizia que você era um exemplo pra ele, e que ele não sabia o que estava acontecendo com você.
Lembro de como eu ria de você contando as suas aventuras dessa nova vida.
Lembro que você dizia que quando crescesse que ia casar comigo, que eu sempre ria e falava que você não ia mais crescer.
Lembro que antes de você se “desguiar”, como as pessoas dizem, você passava na minha casa todo dia e dizia: vamos pra igreja? Me lembro do você me contando que rezava por aqueles que não conheciam Deus.
Lembro-me que um dia você me disse em uma dessas conversas: Rafa, eu sei que o que eu faço agora não é bem visto diante de Deus, mas ele me entende, eu ainda converso com ele.
Sabe amigo, você faz muita falta.
Hoje é mais um dia em que eu to pensando em você, eu sempre falei pra todo mundo que eu era uma pessoa feliz porque nunca tinha perdido alguém que amava. Eu disse pra você que o que você tava vivendo era empolgação e que logo ia perder a graça e você ia achar um caminho correto pra viver, e você falava que todos os caminhos eram corretos e que um dia todo mundo ia morrer mesmo.
Pois é caro amigo, foi o que aconteceu com você, conseguiste achar um caminho mais curto para o fim das histórias. A vida de bebedeiras, brigas, festas intermináveis te adiantou um longo caminho.
Você partiu da forma mais injusta possível, ser assassinado por um garoto da mesma idade que você, chorei muito por você e pelo outro garoto, sei que ele nunca mais viverá em paz.
Sabe Max, você viveu pouco, aos dezessete anos ainda não deu tempo de aproveitar nada da vida, ainda não era a sua hora meu anjo. Eu sempre te disse que não estavas no caminho certo, e você dizia que eu não era a melhor pessoa pra dizer isso.
Hoje eu vejo que realmente não importa o caminho, que a gente vai ter o mesmo destino, porém com o que aconteceu com você eu pude ver que apesar de ter o mesmo destino as nossas escolhas vão fazer com que o caminho seja mais curto, mais longo, mais intenso, ou não.
Viver é complicado não é mesmo.
Espero que estejas bem amigo, eu continuo rezando por você, e espero que estejas cuidando de mim aonde estiveres.
Lembrarei de ti pra sempre Max.

domingo, 23 de agosto de 2009

A Pataqueira



Ontem eu tava lembrando uma parte inesquecível das minhas férias...

Em uma bela tarde de sol a panelinha resolveu sair para um programa diferente. Um passeio de Canoa pelo rio Maruarú!

Normal né?!? Saíram para o passeio o Netto, Rodrigo, Larissa, Thiago, Lunara, Alê, Taya, Clysia, Dih e Rafa.

Juntamos toda a galera lá pela quatro da tarde, depois do povo me esperar fazer um bolo de chocolate a gente saiu. Lá pelas tantas da caminhada por uma ponte papo vai papo vem depois de altas instruções sobre os buracos que tinham na ponte, a Dih simplesmente a Dih, que vinha patetando não enxerga uma tábua que faltava na ponte. Pensa que ela caiu varou a perna toda e a menina ficou pendurada na ponte.. Isso era só o inicio do que a tarde nos aguardava...

Todo mundo ficou olhando pra menina pendurada na ponte.. Demoramos uns três segundos processando até o Netto ajudar ela.

Depois de Risadas e Lamentos a gente seguiu. Passamos umas meia hora pra conseguir alugar três canoas.. Já eram lá pelas cinco da tarde quando a gente saiu pra navegar à remo.. Rolou uma "JUSTA" divisão dos navegantes onde ficaram Larii, ALê , Thiago e eu numa canoa, na outra Netto e Lunara, e por ultimo Rodrigo, Taya e Clysia... a idéia inicial era voltar pra casa antes das seis da tarde.. a gente saiu no rio até chegar em um Igarapé lá depois da errada informação de que tinha uma praia à quinze minutos de onde estávamos decidimos ir até lá..

Remamos Igarapé adentro até a tal praia, uma hora depois, mais ou menos seis da tarde, depois de passar por alagamentos.. Mudança de passageiros para outra canoas, árvores que fechavam todo o rio, finalmente conseguimos chegar ao outro lado...\ 0/

Só tinha um problema chegamos do outro lado quase seis da tarde.. e tínhamos que voltar, pela baía, nem dava pra voltar pelo Igarapé por que era escuro de dia.. de noite então..

Voltamos remando Baia a fora, remamos por uns quinze minutos e o sereno já caindo sobre nossos ombros quando aparece o tio da Taya em uma Lancha. Gritamos feito loucos pedindo ajuda, mas ele disse que não podia rebocar canoas era perigoso demais e ele estava com bastante pressa, pedimos então que ele levasse alguns pra diminuir o peso das canoas..

E foi-se embora o tio Déll levando a Taya a Dih e o Netto. E deixando o aviso de que em 15 minutos não enxergaríamos mais nada. A Noite estava chegara.

Resolvemos a partir daí redividir os passageiros, ficamos Larissa Thiago e eu em uma canoa, Rodrigo, Clysia, Alessandra e Lunara em uma e a outra canoa ia a reboque. Remamos o mais rápido que pudemos, mas remar contra a maré cansa demais, ainda mais quando não se consegue ver o que está à frente.

Lá pelas tantas ouvimos o Rodrigo, que vinha um pouco atrás, gritar que ia a reboque de uma Rabeta (uma canoa grande com motor) e seguimos só nós três, alguns minutos depois percebemos que o Rodrigo não estava próximo da gente, tava longe demais pra dizer a verdade, vimos que a tal Rabeta tinha encostado em uma vila e eles encostaram junto com ela, esperamos por uns dez minutos e decidimos, depois de muita discussão sobre voltar ou não, seguir em frente e pedir ajuda em terra.

Chegamos ao nosso destino por volta das sete e trinta da noite entregamos nossa canoa ao dono e ficamos esperando. Foram os quinze minutos mais sofridos daquele dia, a incerteza de saber onde esta o resto das pessoas nos deixou aflito.

Saímos na intenção de achar os que tinham vindo primeiro e pedir ajuda, quando estávamos descendo a ponte em direção à cidade avistamos a uns quinze metros a Lunara correndo.


Abracei-a emocionada, conseguimos enfim encontrar todos os nossos amigos em terra firme.


Enfim cansei de digitar. Mas o que ficou guardado pra mim depois disso tudo que vivemos. Foi presenciar o pôr-do-sol mais lindo que já vi na minha vida, passar um sufoco e depois rir de tudo, a lembrança do desespero quando não encontramos a canoa que afundou a queda da Dih na ponte, a queda da Taya pra dentro da Lancha e ver todo mundo junto de novo depois do desespero.


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A PANELINHA


Pra sempre!

terça-feira, 19 de maio de 2009

O Pajé e o Macaco.


Deu-se certa vez lá em Curralinho, o desaparecimento do macaco hidráulico de um tio.
Titio tinha certeza de ter guardado o tal macaco no dia anterior, mas ao amanhecer quando foi trabalhar, não encontrou onde tinha deixado.
Procurou por horas, até que desistiu. No mesmo dia mais tarde, foi á casa de um vizinho e contou o ocorrido, o cumpadre pensou um tempinho e deu uma idéia que pareceu perfeita no momento. Disse ao titio que procurasse um cidadão famoso na cidade, o senhor Pedro o Pajé, diziam que ele fazia vidências e com certeza localizaria o macaco.
O tio foi todo esperançoso atrás do tal Pajé.
Quando chegou à casa do homem e encontrou-o, titio foi direto ao assunto.
- Seu Pedro, vim aqui porque me disseram que você é Pajé, que faz vidências. É verdade?
E o seu Pedro respondeu:
- Sim sou eu, como posso ajudar?
Titio contou:
- Moço, é que o meu macaco sumiu, queria que você me ajudasse a localizar.
O Pajé se concentrou, fez as suas rezas e pajelanças, e finalmente olhou pro meu tio e disse:
- Moço tenho duas notícias pra dar, uma boa e uma ruim - Titio ficou um pouco confuso. E o Pajé continuou.- Moço... a ruim é que... mataram seu macaco... a boa.. é que ainda tem metade dele guardada na geladeira..
O Tio que não entendeu nada, saiu da casa do homem, contou a história pra toda a família e a história do falso pajé e do macaco hidráulico (que nunca mais foi encontrado) que foi assassinado, até hoje são motivos de boas risadas nas reuniões em família.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Os Humanos e sua cabeça de bolinha.


Tem coisas na vida que a gente nunca presta atenção e que são verdadeiros poços de sabedoria, vou contar uma historinha rápida só pra ilustrar isso.
No inicio de maio, fui passar um fim de semana lá em Mãe do Rio. Em uma das tardes que eu tava sem nada pra fazer, fui dar uma voltar na rua em frente ao hotel e levei o João comigo, pra quem não conhece a figurinha, o João é um bebê de quatro anos filho da minha tia e a criança mais inteligente que já conheci. Sai com ele e num certo pedaço da estrada tinha um burrinho comendo o capim da beira da estrada, o João parou e pediu pra olhar o burro, e me perguntou por que o bicho tava comendo o capim, daí eu respondi pra ele que ele comia capim por que era o que ele gostava de comer.
O João que adora um “porque” me perguntou por que o burro gostava de comer capim, e eu expliquei de novo: Bebê, assim como nós humanos, gostamos de comer certas coisas, e precisamos comer para não morrer, a gente também come folha, você come alface. Assim o burrinho, ele come folha porque é igual à gente, ele precisa comer.
Daí o João ficou pensativo, e alguns segundos depois ele me disse: Rafa, o burro não é igual à gente.
E foi a minha vez de perguntar por quê.
O João disse em seguida: Olha o burro, ele não é igual nós. Ele é um bicho, mas não é igual à gente, nós somos todos iguais porque temos cabeça de bolinha, e ele não tem cabeça de bolinha.
GENTE. Eu não sabia se ria ou chorava. Lindo né?
Já pensou se todos os adultos tivessem esse pensamento em relação ao outro? Tipo, pensar que todos nós enquanto humanos somos iguais e que a única diferença entre os bichos é a cabeça?
Nós esquecemos isso, esquecemos que enquanto humanos somos iguais e temos a MESMA cabeça de bolinha. O que o João disse ficou marcado pra mim, porque considero que se, nós enquanto bichos humanos entendêssemos que somos iguais, o preconceito de todos os níveis que ainda existe no mundo, reduziria bastante.
É engraçado isso, quando crianças entendemos que somos iguais, quando crescemos a gente esquece dessa idéia, então, proponho que ser for o necessário sejamos eternas crianças, na minha visão sonhadora e ufanista o mundo seria bem melhor dessa forma.

domingo, 19 de abril de 2009

O que você não vê?



Quando eu era criança , convivia com sombras que só eu era capaz de ver, eram sombras com formas, rostos, vozes, cheiros. O ruim era que só eu podia vê-los. Se você é criança e vê espíritos, as pessoas costumam dizer que você tem amigos imaginários, eu sempre soube que não era isso, mas não tinha formação emocional suficiente para contestar os adultos. Eu até entendo o lado deles, porque se uma pessoa lhe disser que tem outras pessoas desconhecidas ao seu lado quando aos seus olhos ela está sozinha, você no mínimo dirá que essa pessoa é louca.
Eu cresci tendo visões daqueles que nos observam, nunca falei com eles, eu tinha medo, mas, à noite quando eles iam embora eu perguntava baixinho por que só eu.
Um dia me perguntaram se eles realmente existiam. Eu apenas pude responder que não sabia se existiam de verdade, mas o fato era que eles estavam lá, presentes o tempo todo, nos observando, fazendo parte do nosso dia-a-dia, ao nosso lado.
Eu não sabia se eles existiam de verdade, mas sei que no meu mundo eles existem até hoje, e passam o dia a nos observar, acredite, se um dia você quis ter esse dom, se é assim que se chama te digo que não é a melhor coisa do mundo, eles te assustam, te tira o sono.
Às vezes, à noite, acordo ouvindo alguém chamar meu nome, procuro pela casa e não acho ninguém, é assim, eles te testam, e fazem isso comigo desde que comecei a entender as coisas, às vezes acho que a única coisa que eles querem é saber até quando eu agüento.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Gengibre não é bom pra gripe!!


Semana passada, aconteceu uma coisa muito interessante. Estávamos indo ao terminal rodoviário (a Lala, a Dih e Eu), e lá pelas tantas da Almirante Barroso, sobe no ônibus um vendedor de bombom, e ele fazendo a propaganda da Balinha de Gengibre, até ai tudo nos conformes.
O vendedor disse: A Balinha de Gengibre é boa pra garganta, combate à tosse, a rouquidão e ajuda na prevenção da gripe.
E ele vendeu suas balinhas feliz da vida.
Quando o moço ia descer do ônibus, depois de agradecer a todos que lhe ajudaram um homem, já com certa idade, toca o rapaz no braço e começa um bate boca sem sentido no ônibus.
O tiozinho ficou indignado com o vendedor de balinha porque o mesmo tinha dito que a tal balinha de gengibre era boa pra gripe.
O tio começou: Olha moço, você tem que parar de enganar as pessoas com essa propaganda, essa sua bala não faz bem pra gripe.
Gente o cara ficou altamente alterado com o humilde vendedor, disse que ele enganava todo mundo, disse que ele tinha feito cursos e sabia que sabia que o tal gengibre não melhorava a porcaria da gripe coisa nenhuma.
O vendedor não deixou por menos ele esperou o tio acabar de falar olhou pra ele e perguntou.
- O senhor, o senhor é médico por um acaso?
- Não!
- Então não venha me falar o que é bom ou não pra gripe!
Gente uma baixaria só!
O vendedor foi embora em direção a porta, e quando estava prestes a descer o tizinho puxou ele pelo braço.
- Olhe moço, eu só queria que ficasse bem claro pra você que Gengibre não é bom pra gripe, queria que você soubesse que eu estudei por muitos anos nos Estados Unidos, e tenho conhecimento que Gengibre definitivamente não faz bem pra Gripe!
Sem necessidade.
Quando ele disse essas últimas palavras, o povo todo do bonde não se agüentou, todos viraram pra olhar e as meninas e eu não controlávamos as gargalhadas.
O vendedor se segurando pra não quebrar o tio no soco, e rindo junto com a gente.
Sei que o tio desceu do bonde, deixando bem claro que nos Estados Unidos tem curso pra estudar o gengibre e que definitivamente GENGIBRE NÃO FAZ BEM PRA GRIPE!!!!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Eu sei contar História!


Foi num sábado até onde eu me lembro.
Ou será que era sexta?... Sábado! Sábado! Era sábado mesmo.
Todo mundo da vila foi pra igrejinha de São Benedito. Era a festa do padroeiro sabe.
Todos faziam questão de ir à novena, porque depois tinha festa no salão paroquial.
Acho que o povo, tirando os velhos, ia mais por causa da festa de que do Santo.
O pessoal se arrumava bastante pra festividade, arrumava a casa, o barco, a única rua da vila, as crianças, tudo ficava lindo. Principalmente as moças!
As moças ficavam uma mais linda que a outra.
Eu ia pra comemoração só pra espiar. Não, eu não gosto de festas. Só gosto mesmo de espiar.
Naquele sábado a festividade corria como de costume. Porém, eu sentia algo diferente, um pressentimento, um presságio, algo me dizia que a noite ia trazer boas surpresas, resolvi colocar meu banquinho em frente ao salão, para poder ver os acontecimentos.
A festa corria como de costume, pensei em voltar a minha janela, por um momento imaginei estar errado, talvez nada demais fosse acontecer. Imaginei.
Lá pelas tantas da noite, enquanto todos riam, dançavam, davam lances no santo leilão e se entupiam de bebidas, eu percebi a chegada dele. Aquela era mais uma noite de caça.
Entrou no salão, era muito belo e bem vestido, e logo todas às moças viraram para olhá-lo, não tinham como não olhar.
Ele sentou-se pediu uma dose, mas não bebeu, e ficou que nem eu, só espiando. Enquanto isso, as moças lançavam-lhe olhares, insinuavam-se, mas, ele nem as percebia, já tinha sua escolhida.
Em certo momento levantou-se e seguiu em direção a Mariana, ela era a moça mais bela da vila, morena cor de jambo, com um corpo excepcional e olhos que pareciam mais dois taperebás maduros, bem amarelinhos.
Ele a puxou para si e começou uma dança muito sensual, o corpo colado mexendo-se em movimentos frenéticos onde quase não dava pra perceber que eram dois dançando. Todos ficaram zonzos, o bailar do homem de branco hipnotizava a todos.
De repente, tudo virou um clarão, ninguém mais lembrou o que aconteceu depois, e foi como se o homem do chapéu nunca tivesse ido aquele lugar.
Mariana também não lembrava de nada, mas, desde aquele dia não foi mais a mesma.
Todos os dias ela sentia uma enorme vontade de ir olhar para o rio.
Começou a ter enjôos, a barriga cresceu. Mariana estava grávida.
Ninguém soube quem era o pai. Geraldo, pai da moça tinha alguns suspeitos, que negaram tudo.
Esperaram a criança nascer. Mas não nasceu.
No dia em que ia dar a luz Mariana sumiu, e nunca mais ninguém a encontrou.
Até hoje os mais antigos contam a história da menina que engravidou do vento e que foi engolida pelo rio.
Mas o que me lembro mesmo, é que não foi de vento não. No dia marcado o moço de branco veio buscar seu herdeiro. Vi da janela quando levou a moça e a criança para as águas, sumiram na vazante da maré. O moço.
Era boto senhor!